"Insista em si mesmo nunca imite. O seu próprio talento pode ser apresentado a cada momento, com a força acumulada pelo cultivo de uma vida inteira, mas do talento adoptado de uma outra pessoa você tem apenas uma temporária posse parcial. Faça o que foi designado para si, e nenhuma esperança ou ousadia poderá ser demais."
No nosso dia-a-dia, ou melhor, nos nossos dias menos bons recorremos variadíssimas vezes ao nosso "saco" interno em busca de momentos, sensações e sentimentos que nos permitam reestabelecer e sentir amados, que nos tragam à consciência o nosso verdadeiro valor.
A nossa Auto-estima é uma ferramenta essencial e fulcral que nos possibilita viver harmoniosamente sentindo-nos amados e amando os outros.
A Auto-estima dos vossos filhos está ainda em construção e enquanto pais e educadores, temos o dever de tornar este processo o mais saudável e equilibrado possível.
Será que reforçamos demais? Ou damos pouca atenção?
Será que ele se sente um pequena "ervilha" ou um verdadeiro super-herói?
Estará preparado para lidar com as dificuldades da vida?
Quando pensamos, ouvimos e partilhamos juntos as nossas ideias e dúvidas, tornamo-nos mais sábios e conscientes do nosso papel.
"Passei todos os Natais da minha infância (até cerca dos 10 anos) em Estremoz. É a terra do meu Pai. Onde nasceu, ainda em casa, que era onde se nascia naquela altura.
A minha avó, duas tias paternas e um tio todos viviam em Estremoz e na altura do Natal éramos sempre muitos.
No Natal ficávamos a dormir em casa da minha avó, de onde tenho um número infinito de recordações. Uma casa grande como hoje em dia já não há, uma cozinha enorme com forno de lenha e milhões de locais fantásticos para brincar. Desde um terraço que havia na casa de banho, ao sotão onde só me lembro de ter ido uma vez, ao escritório do meu avô que ficava no rés-do-chão da casa e que era lindo, enorme e cheio de livros.
Em Estremoz fazia, tal como ainda hoje, muito frio no Inverno. Basta dizer que fica em pleno Alentejo onde as estações são muito estremadas, muito quente de Verão e mesmo muito frio de Inverno.
A noite de Natal, era sempre igual ano após ano. Começava com um jantar em casa da minha avó. Terminado o jantar saíamos para ir à missa do Galo ao que se seguia uma ceia em casa de uma Tia Avó. A Tia Mimi (assim lhe chamada toda a gente), não tinha filhos e como todas as tias era adorada por todos os sobrinhos. Tinha um dos sorrisos mais carinhosos que até hoje já vi. E umas latas de biscoitos deliciosos sempre cheias à espera dos sobrinhos.
Terminada a missa do galo (linda, com muita música e alegria onde no fim se ia beijar o joelho do menino Jesus) o percurso até casa da Tia Mimi fazia-se a pé. Descendo do castelo de Estremoz até à cidade.
Mas nós (as meninas gémeas) só podíamos ir a pé se fossemos bem agasalhadas. Assim vestíamos uns capotes alentejanos e uns gorros com pompons que nós simplesmente odiávamos.
Pelo ar feliz da foto, não dá nada a ideia de que não gostávamos nem dos capotes e especialmente não gostávamos dos gorros.
Nesta foto tínhamos 3 anos e meio.
Agora passado todos estes anos e olhando para as fotos são recordações fantásticas."
Bem esta é uma daquelas fotografias às quais não consegui resistir. Foi a primeira que me veio à memória ao ler este desafio no blog, por isso é provavelmente a que faz mais sentido partilhar.
Afinal de contas parece uma simples fotografia, mas para além de uma fotografia está um reviver (não só para mim mas para muitos de nós acredito!) de uma fase que marcou a nossa infância, a deliciosa brincadeira de faz de conta.
Pois é, esta foi durante muito tempo uma das minhas preferidas brincadeiras. Parece que foi ainda hoje que entrei na dispensa e esvaziei todas as prateleiras à procura dos sapatos perfeitos para passear-me pela casa. Como é óbvio os sapatos escolhidos nunca eram os meus próprios sapatos porque esses já eram demasiado familiares e eram já tão utilizados! Assim preferia escolher os sapatos, sandálias e botas da mãe! (não devo ter sido a única espero!).
Apesar da desarrumação em que ficava a dispensa, a minha mãe até achava piada, daí talvez ter tirado esta brilhante fotografia ao estilo de dançarina de música country.
Penso que esta fotografia ilustra bem o que simples "descalçar dos nossos sapatos e calçar outros", raramente nossos, causa em nós. A transformação que sentia ao fazê-lo, o mundo de brincadeiras que surgia desta simples mudança, marcou sem dúvida a minha infância.
E pronto, depois desta partilha e neste ambiente country deixo-vos, por fim, com uma música penso que assenta que nem uma luva! (pelo menos melhor que aquelas botas assentavam nos meus pés!)
Dado que o passatempo anterior "Quem conta um conto...acrescenta um ponto" não reuniu suficientes participações, optámos por dá-lo como findo e virar a página, agradecendo profundamente aos poucos, mas bons, que lhe dedicaram tempo e promoveram grandes sorrisos na publicação dos seus contos.Muitas ideias vieram para cima da mesa, porém apenas uma parece ter conquistado a unanimidade - Crónicas de Uma Infância Feliz - é o nome da nova "rubrica" na nossa blogosfera. Assim, deixa de existir o carácter de passatempo e a pontualidade das participações, surgindo agora um espaço aberto à recepção e divulgação das histórias pessoais dos "tempos que já lá vão".
A nossa infância foi preenchida de diversas histórias e momentos, dignos de um Festival de Cannes, abrangendo as mais diversas categorias desde o Drama, o Romance, a Ficção Cientifica e, claro, a Comédia. Certamente fomos protagonistas, realizadores e argumentistas de histórias que merecem a pena ser contadas e partilhadas, em cada uma haverá certamente muito dos adultos que somos e algo dos filhos que temos. Desejamos acima de tudo que se divirtam a escrever, a ler, a imaginar e/ou a recordar de sorriso terno no rosto os momentos que fazem parte da nossa história e que o passar dos anos não apaga, porém, enriquece e torna mágico. Nesta nossa "rubrica" vale um pouco de tudo, escrevam, desenhem, comentem e/ou partilhem fotos...encontrem a melhor forma de dar a conhecer situações e curiosidades dos vossos momentos áureos. À medida que formos recebendo os email's vamos elegendo e publicando as melhores histórias, acreditamos que haverá espaço e oportunidade para todas. A "rubrica" é aberta a todos...incluindo equipa. Contamos com a vossa participação!