quarta-feira, 12 de agosto de 2009

As mais custosas e tão desejadas...FÉRIAS!

Contaram-se os dias, fizeram-se grandes planos e eis que chegaram as tão desejadas FÉRIAS.

Quem não tem saudades dos tempos da nossa infância, quando se fechavam os livros e cadernos com a certeza adocicada na boca de que só os voltaríamos a abrir quase três meses depois?

Bons tempos que nos deixam hoje com um brilho difuso no olhar, provocado pelas memórias saudosas e pelo desejo inconsciente de fazer o tempo andar para trás e revivê-lo com a sabedoria de hoje.


E em tantas vezes as nossas crianças (tal como nós o fomos um dia), parecem não compreender e valorizar a imensidão dos meses de verão. Sabemos que em muitas circunstâncias não podemos oferecer aos nossos filhos a diversidade que nos preencheu outrora, quando passávamos sobre "todas as capelinhas" desde a casa dos tios na terra do pai, ao parque de campismo com a tia e os primos e à casa dos avós na terra da mãe.


Em Julho o Setembro parecia tão longe...


Hoje resta-nos agarrar com "unhas e dentes" as oportunidades que a família oferece, para levar o nosso rebento a viver novas experiências, conhecer outras dinâmicas familiares, novos valores e, sobretudo, permitir que sinta saudades nossas. Na eventualidade (cada vez menos eventual), de a nossa família não se disponibilizar, os padrinhos estarem a trabalhar e os amigos se considerarem incapazes de cuidar e divertir-se com o nosso "anjinho", bom...resta-nos ser criativos e bons gestores de todas as possibilidades que os programas e actividades de Verão oferecem.


Assim, o regresso é garantido, tão nostálgico quão extasiado, de braços abertos, olhos reluzentes e com mil histórias para contar, o nosso filhote retoma o nosso colo arrebatando o nosso abraço com a força que a saudade confere dentro de nós.Vem mais conhecedor do mundo e de si mesmo, tudo muito condensado naquele pequeno ser e, ao mesmo tempo, tudo tão vasto e disperso na sua imaginação e sonhos.

Parte de nós, ajudar as nossas crianças a valorizarem as férias com todo o entusiasmo e diversão que estas devem acarretar. Afinal de contas nós fazemos uma pausa no trabalho para descansar e repor energias e eles? Eles também. Ninguém tem culpa que brincar seja durante alguns anos o seu mais nobre ofício, com todos os seus altos e baixos. Para eles este é o seu trabalho, aprender a brincar. E desculpem os mais sensíveis mas...eles parecem empenhar-se com mais responsabilidade e prazer que nós próprios.

Assim, o mais difícil será mesmo explicar aos nossos pequenotes porque é que temos tão poucas férias. Mais uma vez a desculpa do patrão mauzão, que nas ondas da sua imaginação deve parecer o lobo mau, terá de servir ou não.



Lançamos, então, um desafio aos pais que se encontram de férias e fazem escapadinhas ao nosso blog e aqueles que já ou ainda se encontram a trabalhar: O que recordam com mais alegria das férias da vossa infância?

Boas Férias e Bom Regresso


11 comentários:

Xana disse...

"Eu ainda sou do tempo em que" tios e padrinhos tinham toda a disponibilidade para me aturarem nas férias enquanto não chegava o momento das férias com os meus pais.
Ia com os meus tios para o parque de campismo da "GNR" e foi lá que comecei a fazer as primeiras grandes traquinices (espreitar às tendas das outras pessoas) correndo grandes riscos de ir presa!! Eram tempos espectaculares em que podíamos andar à vontade sem grandes medos e preocupações. E dos quais guardo grandes recordações.
Obrigada Joana por me teres feito regressar ao passado.

susyruth disse...

Recordar é viver!
Belos tempos em que aqueles três meses de férias pareciam intermináveis e que o aproveitava ao máximo e sobretudo ao ar livre.
As férias com os avós eram obrigatórias no sítio de sempre, as idas a pé à praia um alegre convívio, brincar na rua até às tantas e sem preocupações, as "xinxadas" quando queríamos comer fruta!!! Muito bom!
Bj gd

Naná disse...

Bela iniciativa! Quanto às fotos é melhor não comentar eheh parabéns pelo blog. Bjo gd, Filipa

Inês disse...

As férias da minha infância... Entre as temporadas em Lagos com os pais, irmã, tios, primos e amigos e as tardes passadas com os amigos da praceta. Entre o mar salgado do algarve, a adversidade às sestas depois do almoço, o cheiro do churrasco da minha tia, o jogo das escondidas, a apanha da conquilha e os passeios de gaivota. Como é bom recordar estas coisas, obrigada Joana! Beijocas

Paula disse...

Olá, quase me vieram as lágrimas aos olhos ao recordar estes momentos, tão únicos como inesqueciveis, a inocência da infância, a despreocupação aliada ao sossego de se poder passear numa praia rente á rebentação, sem que nada no nosso caminho se atravesse, ou nos desvie da nossa rota... e tanto para aprender e para contar...OBRIGADA JOANA BJ MT GR

Marta disse...

Nas minhas férias de infância lembro-me que acabavam as aulas e eu ia para Lagos, com a mãe, mais tarde a avó. O pai ia lá ter mais tarde. E aqui ficávamos o longo mês de Julho. Andávamos de gaivota na praia e de bicicleta no parque de campismo. A mãe ainda não tinha carta. Tínhamos muitos amigos algarvios e por isso aproveitávamos as boleias. Ansiosamente esperávamos pelo fim-de-semana dos escorregas. Uiii, como era bom andar de escorrega naquelas piscinas gigantes. E o mês chegava ao fim, partíamos então para Castelo de Bode. Ainda somos do tempo em que a passagem era feita de ferry, por Tróia. E divertíamo-nos sempre muito. O "meu querido mês de Agosto" era passado em Castelo de Bode, na Aldeia do Mato com os amigos emigrantes que nos traziam sempre bonecas e chocolates da suíça. Mais um longo mês de muita brincadeira, passeios, subidas às árvores para apanhar figos. O verdadeiro contacto com a Natureza. De facto, as férias da nossa infância são inesquecíveis. Espero poder dar aos meus filhos (quando um dia os tiver), um bocadinho desta infância que tanto marca uma geração! Obrigada Joana pela partilha!!!

Marta disse...

Ah, não podia deixar de agradecer às protagonistas das fotos que apelam à Infância. Estão fantásticas.

Obrigada também pelos comentários e partilhas de experiências das vossas férias!!!

Beijinhos a todos!!!

Marta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joana disse...

Oh tempo volta para trás...
É verdade que eu era uma daquelas crianças contemplada com três meses completos de férias. Tive a sorte de crescer numa família tipicamente "siciliana" com raízes "nortenhas" fortemente edificadas, que me proporcionaram um vasto leque de experiências inesquecíveis. Quando arrumava os cadernos começava a desarrumar a roupa para fazer a mala, a minha mãe preparava-me as tralhas e lá ia eu. Começava pela Costa da Caparica nos banhos das piscinas do Inatel com a tia.Depois no "luxo" fabuloso que só os parques de campismo oferecem com o "rancho" familiar e onde, ao fim do dia, esperávamos na praia os barcos carregados de peixe, nos amontávamos nas redes e acreditávamos que o mais pequenino peixe sobreviveria todo o verão no saco de plástico(confesso que foi aí que comecei a ter de lidar com a morte - várias vezes). Depois a praia ficava para trás dando lugar ao clima húmido de Tondela, onde os banhos eram gelados no tanque da casa dos tios e os animais eram alimentados vezes sem conta. Recordo o tempo que passava nos galinheiros à espera de ver as galinhas chocarem os ovos, mas as danadas só chocavam quando eu fazia um intervalito! Finalmente, a "cereja no topo do bolo" de comboio para Vila Nova de Famalicão reencontrava os primos e o meu tão delicioso sotaque.Algo de comum se mantinha ao longo de todas as paragens, as refeições barulhentas e demoradas, onde tudo era possível de acontecer.

Recordo com a lágrima ao canto do olho estes tempos, que fazem parte da minha essência e fazem de mim a pessoa que sou hoje.
Obrigada a todos aqueles que os tornaram únicos.

Xana disse...

Não resisto a escrever.
Principalmente este verão que foi o primeiro em que entre avó, tia e pais o Tiago já conseguiu umas boas 5 semanas de férias.
As minhas férias de criança eram 2 a 3 semanas em Armação de Pêra seguidas do mês de Agosto todo em Estremoz.
Onde tomar banho num tanque caiado, comer tomate acabado de apanhar e lavado em água morna, comer figos ainda quentinhos, correr atrás das galinhas, tomar duche de mangueira no meio da terra, andar de bicicleta e cair imensas vezes, só voltar para jantar já o sol dormia eram o dia a dia.
Ir de bicicleta buscar leite ao "monte" ao lado e vê-lo a ser ordenhado. Ir de bicicleta apanhar amoras nas silvas e comê-las mesmo assim bem "limpas".
Por isso esta semana que passou deixei o Tiago viver um pouco do que eram os meus meses de Agosto, pois sabe tão bem simplesmente não ter preocupações e sujarmo-nos de terra e não saber o que é um relógio.

As férias são das melhores coisas que há na vida.
Obrigada Joana por me fazer recordar coisas tão boas e por relembrar que a riqueza das férias dadas aos nossos filhos vão ficar com eles para sempre.

Sandro disse...

Das férias guardo a lembrança dos meus avós... Das temporadas que os meus pais me deixavam com eles na "terra".
Recordo com saudade, o ir buscar o leite à cabra à noite, para pôr a ferver, o acordar com o cheiro das torradas, os passeios que dava com o meu avô, que tinha sempre algo para me mostrar, as corridas para ver quem comia mais fatias de melão com a minha avó.
Por muito boas que todas as férias tenham sido sempre, o que recordo com mais saudade não são os banhos no pisão, os passeios pelo mato, ou mesmo as festas da aldeia com tudo o que era imigrante... recordo-os a eles, que um mês depois de eu regressar a casa, ligavam aos meus pais para saber quando me lá iam deixar outra vez!!